meu sex & the city pessoal
têm muitos pensamentos na minha cabeça. às vezes, tantos que parece que meu cérebro vai explodir. e foi pensando nisso que me peguei, mais uma vez, reassistindo sex & the city num domingo à toa.
a série sempre me pareceu um espelho meio torto, meio certo. quatro mulheres que não combinam entre si, juntas por uma amizade que não precisa fazer sentido — só precisa existir. e talvez a minha vida seja um pouco assim: grupos que se sobrepõem, conversas que começam num café e terminam três horas depois sobre algo completamente diferente.
a cidade é minha personagem favorita. os sapatos, os casacos, o amendoim no bolso da carrie.
carrie escreve sobre amor como quem tenta costurar um vestido enquanto ainda veste ele. eu escrevo sobre tudo um pouco — viagens, palavras, o café que esfriou enquanto eu pensava na frase certa. talvez o “sex & the city pessoal” não seja sobre amor de româncias, mas sobre amar as pequenas coisas com a mesma intensidade.
os cafés e as conversas
tem um café em amsterdam — sem nome importante, sem fila — onde eu sentei uma vez por duas horas escrevendo nada. o garçom trouxe água sem eu pedir. a janela embaçava do lado de dentro. e eu pensei: isso. isso é o que eu quero escrever. o nada que é tudo.
talvez seja sobre isso
não ter respostas, mas ter perguntas boas. ter amigas que te mandam meme às três da manhã. ter um caderno cheio de meias-frases. talvez a minha versão de sex & the city seja isso: crônicas, caos e coisas bonitas. sem os sapatos caros — mas com o mesmo coração.