rotina de uma romântica desesperada
acordei às onze da manhã com o cabelo em caos e três notificações de pessoas que eu não deveria estar esperando. e mesmo assim, fui fazer café.
tem algo de muito romanesco em ser uma pessoa que ainda se emociona com coisas pequenas. o sol entrando pela janela torta do apartamento. a xícara certa. a música que aparece sem aviso e é perfeita para aquele exato segundo.
eu sou muito do tipo que chora em filme de animação, que guarda ingressos de shows que já foram, que ainda tem a primeira carta que recebeu pelo correio com doze anos. uma romântica, dizem. desesperada, completam.
mas não é desespero
é que eu acredito mesmo. acredito que as coisas têm peso, que os momentos importam, que vale a pena notar. e é por isso que eu escrevo — pra não deixar escapar.
hoje a rotina foi essa: café, janela, sol, silêncio, e uma crônica que começou no guardanapo e terminou aqui.